Royalties do petróleo: julgamento no STF pode mudar receitas de prefeituras em todo o Brasil
O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a redistribuição dos royalties do petróleo — tema que impacta diretamente estados e municípios de todo o país — foi adiado após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo. Antes da suspensão, a ministra Cármen Lúcia votou pela manutenção do modelo atual, que favorece estados e municípios produtores, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Segundo seu entendimento, esses recursos têm caráter compensatório pelos impactos ambientais, sociais e econômicos causados pela exploração de petróleo e gás.
A decisão é considerada crucial para centenas de prefeituras brasileiras, já que uma eventual validação da Lei de 2012 poderia alterar profundamente a divisão dessa arrecadação, ampliando a participação de estados e municípios não produtores. Para o Rio de Janeiro, maior produtor nacional, a mudança poderia representar perdas anuais de cerca de R$ 9 bilhões.
A disputa sobre a redistribuição dos royalties no STF teve origem em uma série de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), protocoladas em 2012 por estados e entidades diretamente afetados pela mudança na legislação.
Entre os principais autores das ações estão:
- Rio de Janeiro
- Espírito Santo
- São Paulo
- Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro
- Associação Brasileira dos Municípios com Terminais Marítimos, Fluviais, Lacustres e Terrestres de Embarque e Desembarque de Petróleo e Gás Natural
Esses governos e entidades questionaram a constitucionalidade da nova lei, argumentando que ela retirava recursos de estados e municípios produtores, que historicamente recebem essas compensações por suportarem os impactos ambientais, sociais e econômicos da atividade petrolífera.
A ministra Cármen Lúcia ficou responsável pelos processos e, em 2013, concedeu liminar suspendendo a nova divisão até o julgamento definitivo. Desde então, o tema permanece como uma das mais relevantes disputas federativas do país.
O caso interessa a todos os municípios brasileiros porque pode redefinir o pacto federativo, influenciar receitas públicas e modificar a forma como as riquezas nacionais são distribuídas entre União, estados e municípios.
O julgamento segue sem data definida para ser retomado.
Por Cleomar Diesel, com assessoria




