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08 jun/26

Pescadores revoltados com decisão do Governo Federal que encerra pesca da Tainha em plena safra histórica

A decisão do Governo Federal de encerrar, na tarde deste domingo (7), a captura da tainha na modalidade de arrasto de praia em todo o litoral de Santa Catarina provocou forte reação entre pescadores artesanais, lideranças do setor e autoridades municipais. O fechamento ocorreu justamente no auge daquela que já é considerada uma das maiores safras das últimas três décadas.

A determinação foi tomada após o sistema de cotas atingir 90% do limite autorizado para a modalidade na safra de 2026. Pela regra vigente, ao alcançar esse percentual, a atividade deve ser imediatamente suspensa. Os pescadores que ainda estavam no mar receberam apenas 24 horas para realizar o desembarque das embarcações.

A medida gerou indignação nas comunidades pesqueiras. Segundo a Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina, a temporada deste ano registrou números históricos, com grandes cardumes próximos à costa e capturas expressivas em diversas praias do litoral catarinense. Em alguns lanços, redes chegaram a retirar mais de 30 mil tainhas de uma única vez na região da Grande Florianópolis.

Para os trabalhadores do setor, a decisão foi tomada no pior momento possível, justamente quando o peixe continua abundante e muitas famílias ainda esperavam garantir renda com a continuidade da safra. A sensação entre os pescadores é de frustração diante da interrupção de uma atividade que representa tradição, sustento e cultura para milhares de catarinenses.

Prefeitura de Florianópolis manifesta repúdio

A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Subsecretaria de Pesca, Maricultura e Desenvolvimento Agroalimentar, divulgou nota oficial manifestando profunda preocupação e repúdio à decisão federal.

No comunicado, o município destaca que a pesca artesanal da tainha por arrasto de praia é uma tradição centenária, ligada à identidade cultural açoriana da capital catarinense. A atividade também possui grande importância econômica, sendo responsável pela geração de renda para cerca de 5 mil famílias somente em Florianópolis.

Representantes do setor pesqueiro também apontam um tratamento desigual, argumentando que a restrição atingiu principalmente os pescadores artesanais do arrasto de praia, enquanto outras modalidades e regiões do estado tiveram condições diferentes para aproveitar a safra.

Governo defende medida

O Ministério da Pesca e Aquicultura afirma que a suspensão tem caráter preventivo e busca impedir que a cota estabelecida seja ultrapassada. Segundo o governo, o sistema foi definido em conjunto com órgãos ambientais para garantir a preservação da espécie e a sustentabilidade dos estoques pesqueiros para os próximos anos.

Apesar da proibição da captura de tainha pelo arrasto de praia, as embarcações continuam autorizadas a pescar outras espécies previstas em seus licenciamentos.

Até o momento, a Prefeitura de Florianópolis não informou se irá adotar medidas administrativas ou buscar a revisão da decisão junto aos órgãos federais. O Governo de Santa Catarina já havia sinalizado anteriormente a possibilidade de recorrer à Justiça caso a regra dos 90% fosse acionada.

Enquanto o impasse segue em discussão, o sentimento predominante entre os pescadores é de revolta. Muitos afirmam que, após anos enfrentando dificuldades, viram uma safra histórica ser interrompida justamente quando os cardumes continuam chegando às praias catarinenses.

Por Cleomar Diesel

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