PF mira “Golden Boys” em nova fase da Operação Sem Desconto contra fraudes no INSS
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (27), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos supostamente realizados sem autorização em aposentadorias e pensões do INSS. Entre os principais alvos estão quatro jovens empresários conhecidos como “Golden Boys”: Igor Dias Delecrode, Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro e Américo Monte.
A operação é conduzida em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Nesta etapa, são investigadas pessoas ligadas a três entidades: Amar/Masterprev, Abapen e Unibap. Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras determinações judiciais expedidas pelo STF. As ações acontecem em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.
Segundo a PF, a nova fase busca aprofundar as investigações sobre possíveis crimes contra a administração pública, incluindo organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de bens e dilapidação patrimonial.
Durante a operação, agentes apreenderam diversos bens de luxo, entre eles uma Ferrari vermelha, uma réplica de carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna, obras de arte, cofres e veículos de alto padrão.

Quem são os investigados
De acordo com as investigações, os quatro empresários seriam os principais articuladores de associações que operavam descontos supostamente irregulares em benefícios previdenciários, por meio de convênios firmados com o INSS.
Igor Dias Delecrode
Com 28 anos, Igor é apontado como dirigente de entidades envolvidas no esquema e ex-presidente da AASAP (Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista). A PF afirma que ele também seria proprietário de empresas de tecnologia voltadas à biometria, utilizadas para validar adesões de aposentados. Segundo os investigadores, o sistema teria sido usado para fraudar assinaturas.
Felipe Macedo Gomes
Felipe, de 35 anos, presidiu a Amar Brasil Clube de Benefícios durante o período em que a entidade firmou acordo de cooperação técnica com o INSS, em 2022. As investigações apontam que ele utilizava o e-mail de sua fintech, a Rendbank, em comunicações institucionais. Ele também é ligado a empresas do setor financeiro e de crédito consignado.
Anderson Cordeiro
Aos 38 anos, Anderson é apontado como um dos administradores do grupo de entidades investigadas. Segundo a PF, ele integrava o núcleo empresarial responsável pela estrutura operacional e pelo fluxo financeiro das associações envolvidas nos descontos aplicados a aposentados.
Américo Monte
Com atuação no mercado de crédito consignado, Américo Monte, de 45 anos, é investigado por supostamente utilizar empresas próprias e familiares dentro da estrutura das associações. A investigação aponta ainda que ele teria colocado parentes em cargos das entidades e já havia sido alvo de denúncias relacionadas a fraudes em assinaturas.

Mudanças após primeira fase
Após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril deste ano, quando carros de luxo ligados ao grupo foram apreendidos, os investigados teriam passado a colocar familiares à frente das associações.
Apesar disso, segundo a apuração, o grupo ainda manteria influência sobre a AASAP. Juntas, as quatro entidades investigadas teriam faturado cerca de R$ 700 milhões por meio de descontos de mensalidades aplicados a aposentados.
As investigações também apontam que os empresários atuavam em diferentes setores privados, sendo proprietários de fintechs, construtoras e empresas de crédito consignado. Eles ostentariam imóveis de alto padrão e veículos de luxo em Alphaville, região nobre de Barueri, na Grande São Paulo.
Esquema investigado
Em nota, a Polícia Federal informou que a operação visa esclarecer crimes relacionados à constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial.
Segundo a PF e a CGU, as entidades investigadas teriam utilizado acordos de cooperação técnica para aplicar descontos em benefícios previdenciários e, posteriormente, desviar parte dos valores para empresas ligadas aos próprios dirigentes.
Por Cleomar Diesel fonte Metropóles




