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10 jun/26

Popularidade de Ratinho encontra barreira na candidatura de Sandro Alex

Uma leitura crítica dos números apresentados pela Paraná Pesquisas mostra um aspecto que preocupa o grupo governista: Sandro Alex parece não estar conseguindo converter em votos a enorme popularidade do governador Ratinho Junior.

Em política, existe um fenômeno conhecido como “efeito companhia”, quando um candidato cresce impulsionado pela imagem de uma liderança popular. Em tese, Sandro Alex deveria ser um dos maiores beneficiários desse mecanismo. Afinal, ocupa espaço estratégico no governo, é constantemente associado às obras de infraestrutura e percorre o Estado ao lado de Ratinho Junior, cuja aprovação gira em torno de 80%, segundo diversas pesquisas recentes.

No entanto, os números sugerem que essa transferência de capital político está encontrando limites. Sandro Alex saiu de 8,6% para 10,7%, uma variação que permanece dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais. Na prática, isso significa que o crescimento é insuficiente para demonstrar uma mudança consistente no cenário eleitoral.

O dado mais relevante não é sequer o percentual alcançado por Sandro Alex, mas a dificuldade em romper a barreira dos dois dígitos mesmo contando com a estrutura do governo estadual, ampla exposição institucional e o apoio do governador mais bem avaliado do Paraná. Se existe um candidato que deveria estar colhendo dividendos do prestígio de Ratinho Junior, esse candidato é Sandro Alex.

A situação se torna ainda mais delicada quando se observa o comportamento do eleitorado de Rafael Greca. A expectativa natural do PSD era que uma eventual saída do ex-prefeito fortalecesse Sandro Alex. O levantamento mostra o contrário: quem absorve a maior parte desses votos é o senador Sergio Moro. Sem Greca, Moro sobe cinco pontos, enquanto Sandro cresce apenas 2,1 pontos.

Esse dado reforça uma percepção que já circula nos bastidores: o eleitor pode aprovar Ratinho Junior como governador, mas ainda não demonstra disposição automática para votar no candidato apoiado por ele. São fenômenos políticos distintos.

Outro aspecto preocupante para o PSD é a pesquisa sobre perspectiva de vitória. Quase metade dos entrevistados acredita que Moro vencerá a eleição. Em campanhas eleitorais, a percepção de quem tem chances reais de ganhar costuma influenciar prefeitos, vereadores, lideranças regionais e partidos. Ninguém gosta de apostar em um projeto que parece não decolar.

Por isso, a dificuldade de Sandro Alex vai além dos números da intenção de voto. Ela afeta diretamente a construção das alianças. Partidos observam pesquisas antes de fechar compromissos e, quando o candidato apoiado pela máquina estadual não consegue transformar popularidade governamental em crescimento eleitoral robusto, surgem dúvidas legítimas sobre sua competitividade.

A principal conclusão da pesquisa é que Sandro Alex demonstra, até o momento, uma espécie de imunidade ao efeito Ratinho Junior. O governador continua extremamente popular, mas essa aprovação ainda não se converteu em uma transferência significativa de votos para seu principal pré-candidato ao Palácio Iguaçu. Para o PSD, que apostava justamente nessa associação como principal ativo eleitoral, o cenário ficou mais complicado do que parecia alguns meses atrás.

Isso não significa que a eleição esteja definida. Faltam meses de campanha, alianças ainda serão fechadas e a exposição eleitoral tende a aumentar. Porém, a pesquisa deixa um alerta claro: a força política de Ratinho Junior pode não ser suficiente, sozinha, para empurrar Sandro Alex rumo à disputa em condições de igualdade com Moro. O eleitor paranaense parece estar separando a avaliação do governo da escolha de seu próximo governador. E essa talvez seja a notícia mais importante revelada pelo levantamento.

Por Cleomar Diesel

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